quinta-feira, 29 de abril de 2010

para sempre, nunca mais

[...] entrei na sala. nunca havia visto você daquele jeito. estava com uma aparência horrível, e o cheiro de um cigarro inacabado e um copo de bebida em mãos... era a única coisa que conseguia enxergar. também vi cacos de pratos que você havia jogado, provavelmente na noite anterior após uma discussão no telefone. fiquei um instante a olhar tudo aquilo que rondava em minha volta. encontrei um papel e uma caneta jogada em meio de todas aquelas coisas quebradas e escrevi, "me desculpe, quero você de volta, para sempre". [...]

[...]
- alô?
- por onde é que você andava?
- acabei de chegar do trabalho.
- a essa hora? já são quase uma da manhã.
- a conferência demorou mais do que o previsto, por isso...
- não diga mais nada, estou cansado dessa história, você andou saindo com outro.
- outro? da onde é que ti...
- SIM! VOCÊ ESTÁ BRINCANDO COMIGO!
- pare de gritar comigo, eu acabei de chegar do meu trabalho. você está chapado.
- CHAPADO? você está ficando louca de tentar me sacanear, você me paga.

[...] e você continuava com aquela idéia de traição. já faziam dois meses que eu aguentava aquela história de atender o telefone e todas as vezes ouvir gritos e palavrões. você já havia perdido o controle do que estava fazendo, você estava acreditando em suas próprias ilusões. e eu já não sabia o que fazer para acreditar que tudo que andava pensando era uma mentira. lembrava de todas as coisas que passamos, os sorrisos, as noites perdidas contando estrelas naquele parque perto de seu apartamento, até mesmo de quando brigávamos por coisas infantis mas que segundos depois seu abraço valia mais do que qualquer tontisse que tínhamos falado. lembrava de como te conheci... estava no shopping aquele dia provavelmente dando uma volta, como eu, e trocamos olhares. tudo começou assim, lindo. e hoje eu não sabia distinguir se era horrível ou mais que horrível. depois dessa nossa última briga, decidi nunca mais procurá-lo, eu realmente estava cansada e acabei indo dormir.

oito horas da manhã

estou em pé, pronta para sair ao trabalho, mas mudei de rumo. antes de ir ao trabalho, continuar minhas atividades normalmente, me lembrei da noite anterior, ela não saia da minha cabeça. foi quando decidi parar naquele prédio perto ao parque. subi as escadas e por incrível que pareça, sua porta estava aberta.
[...] entrei na sala. nunca havia visto você daquele jeito. estava com uma aparência horrível, e o cheiro de um cigarro inacabado e um copo de bebida em mãos... era a única coisa que conseguia enxergar. também vi cacos de pratos que você havia jogado, provavelmente na noite anterior após uma discussão no telefone. fiquei um instante a olhar tudo aquilo que rondava em minha volta. encontrei um papel e uma caneta jogada em meio de todas aquelas coisas quebradas, mas, antes de escrever dei mais uma olhada no local novamente. não acreditei no que estava vendo, uma lingerie de outra mulher. escrevi, "me desculpe, mas suas ilusões são por culpa daquilo que você mesmo criou em sua vida. acreditou que eu estava te traindo por me trair, eu não te quero de volta para sempre, nunca mais."

acredite na sua ilusão, pois ela me trará de volta a você.

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