janeironum verão de mil novecentos e noventa e um, quando o sol acabara de surgir em meio ao céu azul sem uma nuvem para estragar aquele momento, estava parada em um banco perto de um parque. haviam crianças brincando, casais apaixonados demonstrando todo o amor que um poderia dar ao outro. eu observava tudo em minha volta, inclusive observei uma garota com uma linda blusa e por cima, um belo colete da época. tão meiga e dócil, pensei. seu jeito era tão encantador que não pude deixar de notá-la a tarde toda. estava quase no horário do pôr-do-sol quando olhei para o relógio. o tempo parecera ter passado tão rápido enquanto a observava.
seus olhos reluziam ao lado daquele imenso lago que compunha o parque. cheguei mais perto, pois era o local perfeito para se ver o pôr-do-sol, foi quando você me disse o primeiro olá. não pude deixar de notar aquela maravilhosa covinha que carregava em seu rosto porcelana, e muito menos pude deixar de perceber que eu estava extremamente encantada, não só por sua beleza, como também pela forma como você me mostrava ser. quando me dei conta, já tinha pego seu telefone e afins e começamos a nos encontrar. tinha acabado um namoro e dizia o quanto estava triste, e eu estava ao seu lado para te reconfortar. não percebi o quanto me fazia mal ter de ouvir você dizendo que ainda estava apaixonada pelo seu ex-namorado e o quanto queria ele de volta. e os meses passaram [...]
julho
[...] - oh, eu te amo.
- o meu corpo encontra o teu, e eu prometo nunca te deixar.
um suspiro e nada mais. o silêncio predominava naquele quarto escuro que nos encontrávamos, até não aguentar mais e perguntar:
- você também me ama?
- ainda tem dúvidas?
- as vezes acho que é passageiro.
- já fazem dois meses, não acha que não seja amor não é? pare de bobagens.
- você não me disse que ama.
- você sabe o que eu sinto.
eu sabia. ou pensava que sabia, porém, você nunca me dizia. ainda assim, acreditava que existia amor em você. [...]
setembro
[...] primavera, e eu estou aqui no banco em que te vi pela primeira vez e me apaixonei, reconstruindo os pedaços que você deixou do meu coração jogados naquele quarto em que costumávamos nos amar, quero dizer, que eu costumava amar. não consigo acreditar, que você fez isso comigo. eu não consigo acreditar que fez eu enganar que existia amor em você.
julho, dias depois da noite em que nos amamos
[...] - preciso falar com você
- o quê? já está pensando em vir morar comigo? falou com seus pais que está apaixonada por mim? eles aceitaram a nossa decisão?
- eu vou embora.
- embora? como assim? seu lugar é ao meu lado.
- meu lugar é ao lado de henrique.
- henrique? seu ex-namorado?
- sim, eu o amo.
- você disse que me amava. [...]
setembro, continuando a lembrar no parque
[...] nunca pude deixar de lembrar, as palavras mais cruéis que ouvi vindo de uma pessoa tão meiga e dócil como você. nunca esqueci da última frase, a última que me disse antes de ir embora:
- você sim disse que me amava, eu apenas disse que você sabia o que eu sentia. não posso fazer nada, se acreditou que o que eu sentia era amor.
verão
estou aqui sentada no mesmo lugar, pensando em você. você não voltou ao lugar que eu costumava dizer ser nosso. você não voltou dizer que me amava. acredito eu, que esteja com henrique, vivendo sua vida, talvez com filhos, ou não. acredito que esteja dizendo 'eu te amo'... meus olhos se enchem de lágrimas, e eu já não consigo mais pensar em nada, só em você e no que você disse. não acredito que ele te ame, mas ele te faz feliz e isso me conforta. porém, eu continuo a te esperar, eu sei que vai perceber que está a me amar, e preferiu não acreditar. eu vou continuar a te esperar, eu não desisti de lutar. eu sei, você vai me amar.

às vezes ela amava tanto ele que não podia prende-lo a vida toda com alguém como ela.
ResponderExcluirRealmente,você esta me surpreedendo,muito lindo.
ResponderExcluirVocê descreveu o típico amor altruísta.Só que com um pouquinho mais de cor (:
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