era natal. eu tinha seis anos, e a minha única preocupação era de ter que brincar. eu não queria barbie's nem queria uma casinha nova para brincar. eu queria o nino. sim, aquele do castelo rá-tim-bum! ele nunca foi a coisa mais linda do mundo, e também não imagino que fosse a coisa mais barata da época. ele era de pano, e era o brinquedo que eu mais paquerava na loja. eu não ia ganhar, a minha mãe não queria me dar o nino. ia ser o pior natal da minha vida, ah! se ia. uma tarde. eu estava no apartamento, tristonha esperando um presente de natal que eu achava que não viria até mim, até a campainha tocar. era um homem de gorro vermelho, com a barriga enorme e com as vestes vermelhas. eu o encarava e estava assustada ao ver aquele "HO HO HO" contínuo com uma sacola em suas costas. foi então que ele tirou uma caixa de dentro da sacola. um silêncio, era meu presente de natal. eu o abri, e quando olhei, era o nino com suas vestes coloridas e com aquela cara feliz que mais parecia o reflexo do meu sorriso. eu tinha ganhado o nino, o meu tão desejado nino...doze anos se passaram e o meu quarto já não é o mesmo. não moro na mesma casa, não gosto das mesmas coisas, nem penso igual a anos atrás. porém, o nino continua lá em seu lugar... em cima da cama, e com o mesmo sorriso refletido no rosto. ele não fala, não se mexe... ele não faz nada. ele é apenas um boneco. um boneco, que quando alguém entra no quarto, olha e lhe faz ter toda a atenção do mundo voltada a ele. ele é aquele que guardou o sorriso de uma criança que lhe desejava todo para ela, e que em momento algum ao o olhar, poderá esquecer do quanto ele foi motivo de alegria de alguém seja por segundos, por minutos, pelo tempo que passar.
ah, meu querido nino.

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