domingo, 30 de maio de 2010

antes do amanhecer

mais de cinco horas da madrugada, um encontro em meio a festa que rolava na casa de um desconhecido, pessoas conversando, rindo... porém uma imagem parecia ter um foco nítido mais que qualquer outra parte do local: duas pessoas no sofá, conversavam após um profundo beijo na sacada.
- você é diferente das outras - disse em um tom suave enquanto o som continuava rolando dentro daquela casa lotada de pessoas se divertindo em plena madrugada de sábado.
- por que? - disse então a garota com os olhos brilhando e sentindo sua buxexa corar ao ouvir o garoto dizer isso.
- você é a única garota que consigo olhar nos olhos por mais de um minuto. - o silêncio parecia ter aparecido naquele momento, porém o som continuava a rolar na sala em que se encontravam, e as pessoas continuavam a andar e festejar por lá.
- não entendi... por que? - continuava a garota tímida ao ter ouvido o garoto falar isso em sua frente, e ela continuava sem reação alguma ao ter ouvido isso da boca daquele garoto.
- não sei, eu não consigo olhar para as pessoas por mais de dez segundos, e com você, eu consigo isso, é diferente.

ela sabia que era diferente. sabia que era diferente, mas não conseguia admitir. não era só ele quem conseguia olhar mais de dez segundos para ela, diferente das outras pessoas. ela também, conseguia olhar para ele por mais de dez segundos, diferente de várias pessoas que passavam por sua vida todos os dias. o que ela não entendia era porque ele não podia amá-la como ela o amava. ela sabia que após a noite acabar e ela se despedisse ao voltar para sua casa, toda a magia acabaria e seriam novamente dois bons e velhos conhecidos que haviam uma história que mais parecia inacabada por nunca terem tido uma chance de começá-la corretamente como ela queria.

ela continuava a olhar para o rosto daquele belo garoto a quem havia entregado o coração a partir do momento que o conheceu, sem ao menos perceber... ela não sabia o que fazer naquele momento, ela só estava desejando mais que qualquer outra coisa que o tempo parasse naquele minuto e que ficasse o resto da vida olhando para ele. um beijo. ele havia inclinado-se a ela e dado um beijo. foi quando parou por um instante e começou a encará-la como se ela fosse a coisa mais importante da vida dele. ela não queria olhar para o celular e ver a hora que era. ela sabia que já era a hora de ela ir embora, e ela não queria partir. mas, não havia o que fazer. ela teve de olhar. e realmente, era o momento de se despedir.

as mãos entrelaçadas acabavam de se soltar, e ela olhava-o com olhar de desesperança que o momento iria se repetir... ela ficou em silêncio, e não conseguindo falar nada, pensou 'eu te amo'. e ao tomar coragem de falar, olhou para trás, vendo ele pegar o caminho solitário pelo qual andavam juntos antes do amanhecer. ela não conseguiu dizer o que queria, mas desejava mais que qualquer outra coisa no mundo que ele soubesse o que ela sentia.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

ah! meu querido travesseiro

já tentei dizer algo sobre a distância de pessoas que considero melhores amigos mas, na verdade eu nunca havia me dado conta de que meu melhor amigo estava sempre presente ao meu lado. você foi quem eu sempre coloquei minha cabeça para desabafar... e foi em você que eu passei todos os pensamentos do meu dia de uma só vez para que soubesse como o meu dia havia sido agitado... ou até mesmo monótomo. foi também em você que encostei para tirar a canseira que sentia daquele dia perturbado. quando caí e cheguei a achar que algum outro podia ajudar, vi que me enganei. mas também não pude deixar de notar que você foi o único em que me deixou encostar para chorar... é engraçado, depois do choro intenso, ainda assim você continuou a deixar eu ficar encostada até pegar no sono e as vezes, nem ligou de eu virar a noite encostada em você sem ao menos reclamar.

ah! meu querido travesseiro... tão confortável, tão fofo, tão atencioso. como eu queria que pudesse dizer algo ao saber que você é o meu melhor amigo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

falta inspiração

não consigo escrever entre linhas o que sinto. não por falta de sentimentos, pois sentimentos rondam meu dia, como o ar que respiro não para de vir até mim. não quero falar de tristeza, pois isso me faria ter a melancolia ao meu lado quando na verdade não quero chorar. não quero falar de saudade, pois quando ela aparece parece que tudo que estou vivendo em volta torna-se indiferente e me perco nas lembranças que não vão voltar a acontecer e eu realmente não quero passar minha vida vivendo de passado, mesmo que ele tenha sido imensuravelmente bom. pois agora digo, eu poderia escrever sobre felicidade, porém ela parece ser algo soado tão maravilhoso que prefiro não colocá-lo em linhas para não se tornar algo banal, afinal, as pessoas não querem textos felizes, e sim, os tristes que lhes tocam lá no fundo, onde após tocados podem se tornar reflexões para a vida inteira. pois se não quero falar de tristeza, nem de saudade, nem de felicidade, poderia então falar de amor.

AH! o amor. infelizmente também não quero falar dele. pois para falar de amor, você precisa falar sobre a felicidade de quando está nos braços de seu amado, e precisa falar da saudade que sente quando ele vai embora... também precisa falar da tristeza, caso ele vá embora deixando saudade e a felicidade que plantou quando esteve por perto e que agora ele decidiu deixar tudo para trás deixando apenas lágrimas em seu rosto para saber que um dia tudo que aconteceu valeu a pena, mas que agora tens que seguir em frente.

eu não quero falar de felicidade, saudade, tristeza. eu não quero falar de amor. para escrever preciso sentir. pois digo, não quero sentir. então, prefiro a minha falta de inspiração.

domingo, 9 de maio de 2010

o que encontro em dicionários

olhei para o dicionário, as palavras 'grito' e 'pulsação' tinham significados simples... qualquer pessoa que parasse para ler o significado levaria exatamente como qualquer outra coisa que lê em seu dia. eu poderia ter lido e acreditado que o significado realmente era aquele. porém, não quis acreditar. encontrei o significado das palavras sem querer [...]

grito

ouço gritos. não são de alegria, não são de reclamações de tristeza. são gritos de dor que parecem estar presente nos lugares quando vejo que você não se encontra. os dias são como todos os outros quando não estou com você... são vazios. são falsos sorrisos estampados que levo em meu rosto ao querer você por perto e saber que não lhe tenho aqui. também são distantes, pois meus dias parecem querer ser divididos junto ao seu mesmo longe. ainda com todas as dores que sinto por estar tão longe, consigo levantar do leito em que me encontro por saber que logo estará em meus braços.

pulsação

olho para o céu e vejo estrelas brilhando em meio a escuridão que encontro. meus pensamentos começam a tentar encontrar um sentido para aquela imensidão e o primeiro e todos os restos das coisas que passam por ele, é você. não sabia explicar, porém vejo que o motivo de lembrar de você ao olhar estrelas. a forma como fixo o olhar e não consigo pensar em mais nada e sentir a mesma pulsação ao me encontrar com você é exatamente igual ao olhar uma estrela. talvez por eu amar estrelas, compreendo o amor que sinto por você.

[...] em você. foi em você que consegui compreender o significado de 'grito' e 'pulsação'. porém, além dessas palavras, várias outras palavras pareceram estar presentes com seus verdadeiros significados quando olho ou penso em você. elas não podem ser expressas certamente como dizem nos dicionários. os dicionários estão errados. o que eu sinto, é maior que qualquer desses significados comuns nele encontrados.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

enfim, respirar

olho para o espelho. as lágrimas que percorriam em meu rosto a dias atrás se secaram, e a dor inevitável de um coração despedaçado jogado ao meio do quarto já não existe mais. [...]

as coisas mudam, sempre soube disso e nunca me arrependi de pensar dessa forma. lembro-me das primeiras mudanças que ocorreram em minha vida... o começo era assustador, algo novo. talvez lembranças boas eram deixadas para trás por culpa da mudança, e também ruins, mas eu não sabia. achava que era sempre eu quem estava errada. eu chorava por vê-las passarem por mim, e perceber que não voltariam em meus braços... nunca mais. quando achei que as coisas tinham melhorado após as mudanças, lá vinha mais uma vez algo que me derrubava e pronto. lá estava eu no mesmo lugar, chorando. todas as vezes pareciam iguais. foi então que tudo mudou novamente, e quando acreditei que estava melhorando, sim, eu parei no mesmo lugar. fui percebendo que a cada mudança boa, após um tempo, vinham as quedas e então, decidi me afastar de tudo que me fazia 'bem'.. era momentâneo, mas me fazia bem. os meus pensamentos haviam mudado, eu já não era mais a mesma pessoa que havia sido uma semana atrás e então, logo apareceram coisas que estavam prestes a mudar e eu sabia que mudaria... decidi arriscar. no começo fiquei com medo, eu sabia que cedo ou tarde iria embora, porém, com o tempo me demonstrava segurança e eu acabei achando que era para sempre, como todas as vezes. e cada vez, eu fui me aprofundando mais naquela mudança. o engraçado era que me dava um bem estar que só eu podia entender, mais ninguém...

um mês e meio. esse foi o para sempre da mudança para ir embora novamente. e lá estava eu, da mesma forma de todas as vezes, com medo, triste, querendo que não se fosse. eu te via partir, e eu não queria ter visto. preferia que tivesse saído de uma única vez e não lentamente de minha vida... seria menos doloroso, eu penso. talvez eu tenha errado, ou então não tenha. talvez eu tenha esperado algo, porém se esperei, não deveria. ainda assim continuei de braços abertos se decidisse voltar. hoje eu não te quero por perto, não te quero longe... na verdade, eu não quero mais que você exista em minha vida.

[...] você desapareceu. como todas as lembranças boas que guardava em minha memória. eu decidi deixar elas serem levadas com o vento. assim, não sinto mais mágoa, tristeza, ou qualquer sentimento ruim que deixou ao passar por mim. agora sim, eu posso respirar em paz.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

nino

era natal. eu tinha seis anos, e a minha única preocupação era de ter que brincar. eu não queria barbie's nem queria uma casinha nova para brincar. eu queria o nino. sim, aquele do castelo rá-tim-bum! ele nunca foi a coisa mais linda do mundo, e também não imagino que fosse a coisa mais barata da época. ele era de pano, e era o brinquedo que eu mais paquerava na loja. eu não ia ganhar, a minha mãe não queria me dar o nino. ia ser o pior natal da minha vida, ah! se ia. uma tarde. eu estava no apartamento, tristonha esperando um presente de natal que eu achava que não viria até mim, até a campainha tocar. era um homem de gorro vermelho, com a barriga enorme e com as vestes vermelhas. eu o encarava e estava assustada ao ver aquele "HO HO HO" contínuo com uma sacola em suas costas. foi então que ele tirou uma caixa de dentro da sacola. um silêncio, era meu presente de natal. eu o abri, e quando olhei, era o nino com suas vestes coloridas e com aquela cara feliz que mais parecia o reflexo do meu sorriso. eu tinha ganhado o nino, o meu tão desejado nino...

doze anos se passaram e o meu quarto já não é o mesmo. não moro na mesma casa, não gosto das mesmas coisas, nem penso igual a anos atrás. porém, o nino continua lá em seu lugar... em cima da cama, e com o mesmo sorriso refletido no rosto. ele não fala, não se mexe... ele não faz nada. ele é apenas um boneco. um boneco, que quando alguém entra no quarto, olha e lhe faz ter toda a atenção do mundo voltada a ele. ele é aquele que guardou o sorriso de uma criança que lhe desejava todo para ela, e que em momento algum ao o olhar, poderá esquecer do quanto ele foi motivo de alegria de alguém seja por segundos, por minutos, pelo tempo que passar.

ah, meu querido nino.

terça-feira, 4 de maio de 2010

não é como um bom dia

uma imensa tristeza se encontrou dentro de mim, e te ter ao meu lado já não era mais possível. eu tinha te perdido, e imaginei que seria para sempre, até então. [...]

parando para observar fotos e conversas antigas, pude então ver como as coisas que acontecem no nosso dia-a-dia mudam constantemente. lembro-me de estar deitada depois de uma conversa durante a madrugada após uma tentativa frustrante de tentar te irritar ao mandar um abraço que na verdade, era mais para matar a saudade do que para a própria irritação que eu queria que ocorresse. não esperava ver seu nome em meus contatos, nunca mais. era preferível não entrar mais no msn do que ter que ver seu nome todos os dias em minha direção e não poder ao menos chamar para dizer algo que realmente estaria sentindo. deitada então lembrava de nossa primeira conversa após quase completar quatro meses de silêncio absoluto, e as lágrimas escorriam em meu rosto como canivetes, que pareciam acertar meu peito e então rasgar de forma que outra pessoa jamais tinha conseguido fazer. porque é que o seu sorriso ainda vinha em meus pensamentos como se você nunca tivesse sumido de minha vida e continuara sempre no mesmo lugar? o seu sorriso para mim, sempre foi o mais encantador, o único que me cativara de forma que os outros, eram apenas os outros. as horas durante a noite mal dormida pareciam não passar e a hora de acordar e ver novamente seu nome em meu msn era imensa que chegava a doer. então amanheceu, e ao entardecer, seu nome estava lá, pronto para chamar. as coisas estava diferentes, porém, preferi acreditar na perfeição. por que é que eu caí e mesmo caindo não deixei de pensar em você? seria tudo tão impossível assim? foi então que após me dispensar em uma noite, dizendo de sua confusão que o meu mundo pareceu parar. não pude deixar de notar que era exatamente no dia da mentira, e que eu sabia que seria uma mentira, e que você veria que a verdade estaria encontrada em meus braços ao decidir voltar. preferi não acreditar que me chamara no outro dia para perguntar se estava bem, sendo que a vinte quatro horas antes, havia me deixado sem pensar em me machucar. ainda assim, preferi não arriscar o desdém, eu queria você para mim, não importasse o tempo que demorasse. foi então, que ao ver seu nome com um ar de confusão no outro dia, decidi perguntar se continuara tão confuso durante os dias. um silêncio. a confusão havia passado, e ao dizer isso, minha pulsação congelou. congelou de forma constante como se fosse impossível voltar a funcionar normalmente. você estava voltando para mim, e eu estava de braços abertos para te receber. não quis muitos questionamentos, eu apenas quis você, não importasse o tanto que teria lutar para te ter. eu sabia que a minha felicidade se encontrava em você. e o amor que eu tinha, já havia depositado todo em você. e foi assim, um encontro depois de uma semana. um abraço, um beijo, outro abraço e outros milhões de beijos foram depositados em você. e os sentimentos, pareciam querer se libertar de dentro de mim. pude então encontrar seus olhos e finalmente dizer 'eu te amo' pessoalmente. você estava novamente comigo aquele dia. estava novamente comigo aquele dia, no outro... estava novamente comigo, para sempre. e eu jamais deixarei levarem você para longe de mim.

[...] hoje não me encontro em meio a fotos, conversas e lembranças antigas. me encontro em meu quarto, com o pensamento longe... com o pensamento em você. e acredito que esteja pensando em mim. você sabe, eu te amo e não é como um bom dia. eu sei. é você, para sempre.